quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Vacuoterapia ou endermologia



A vacuoterapia ou endermologia trata-se de uma técnica de massagem não invasiva que utiliza pressão negativa gerada por um sistema de vácuo, associado às manobras de massagem  ativa realizadas pela ventosa (pressão positiva).
Na endermoterapia as ventosas são associadas a rolos de massagem mecânica, aumentando assim o diferencial de pressões. A endermologia (LPG) encontra-se aprovada pela FDA como recurso eficaz no tratamento do Fibro edema gelóide. Esta massagem mecânica permite uma mobilização profunda da pele e camada subcutânea.
Decorrente da pressão negativa sobre a pele ocorre melhoria do fluxo sanguíneo e linfático que permite o aumento da oxigenação cutânea, melhoria da nutrição celular, auxílio na eliminação de produtos do metabolismo, melhoria do tônus da pele e  libertação de endorfinas.
Através da vacuoterapia é exercida uma ação de tração dos septos fibrosos, proporcionando um efeito desfibrozante, contribuindo para uma maior mobilidade do tecido conjuntivo e reestruturação do mesmo. A diminuição da espessura septal  encontra-se comprovada por ressonância magnética.
A vacuoterapia melhora ainda a reabsorção linfática quando se utilizam pressões baixas, atendendo às pressões fisiológicas, graças à tração ligeira que provoca abertura dos canais capilares linfáticos – depressoterapia. A pressão negativa tem ainda efeito de proliferação de neovasos. É ainda defendido pela bibliografia um efeito de tonificação cutânea pela estimulação do fibroblastos, com aumento da produção de colagénio e elastina.
A vacuoterapia não proporciona degradação de triglicéridos diretamente  mas a hiperdistensão do tecido parece estimular libertação de catecolaminas, que por sua vez estimula a lipólise.
Indicações da vacuoterapia:
Contra-indicações da vacuoterapia:
  • Sobre feridas e úlceras;
  • Veias varicosa;
  • Fragilidade vascular;
  • Infeções cutâneas;
  • Cardiopatias descompensadas;
  • Neoplasia;
  • Doentes hipocoagulados (exp: Aspirina);
  • Pacientes com baixo número de plaquetas;
  • Cardiopatias descompensadas;
  • Hematoma recente.

Massagem

O termo massagem tem diferentes origens, do grego massein que significa amassar ou do hebraico massechou árabe mass que significa palpar, remete para a utilização de técnicas manuais com vista a promover relaxamento, mobilizar estruturas, aliviar dor, diminuir edema e promover independência funcional.
Este recurso terapêutico utilizado desde os tempos pré-históricos, datando o registo mais antigo de 1500 a.c., apresenta efeitos bem estudados e documentados. A massagem é um recurso de grande aplicabilidade na área de dermato-funcional, destacando-se pelos seus efeitos em diversas condições.
A massagem permite estimulação da circulação sanguínea e linfática, promovendo vasodilatação e recrutamento de um maior número de capilares da pele. Deste modo, permite melhoria da nutrição tecidual e drenagem de produtos metabólicos. Favorece as trocas intercelulares e diminui edema – descongestionante.
A massagem também constitui um método de transdermoterapia, visto que a aplicação de pressão e o alongamento da pele,  aumenta a permeabilidade da mesma a moléculas como a cafeína, por exemplo. A rota potenciada pela massagem é a transapendicial.
Aumenta a mobilidade e extensibilidade dos tecidos moles com aumento da capacidade de alongamento e liberação de aderências. A massagem promove ainda um alívio da dor.
A massagem terapêutica engloba a utilização de diversas técnicas, escolhidas em função do objetivo pretendido, entre as quais: deslizamento ou effleurage, amassamento ou petrissage, precursão ou tapottement, fricção, vibração e rolamento.
Indicações da massagem:
  • Edema;
  • Hematoma;
  • Cicatrizes aderentes;
  • Tensão muscular aumentada;
  • Dor;
  • Administração de princípios ativos por via transdérmica
Precauções da massagem:
  • Terapia anticoagulante;
  • Neoplasias;
  • Arritmia;
  • Hipotensão/Hipertensão instáveis
Contra-indicações da massagem:
  • Cicatrizes recentes;
  • Distúrbios circulatórios (flebite, tromboflebite, TVP, etc.);
  • Doenças de pele (furúnculos, eczemas, etc.);
  • Massagens profundas no abdómen de grávida;
  • Infeções;
  • Áreas inflamadas

Eletrolipólise

A eletrolipólise consiste na estimulação elétrica da lipólise, com recurso a uma corrente de polaridade alternada, bidirecional. Embora frequentemente aplicada na área de Dermato-funcional, os estudos científicos ainda são poucos mas segundo estudos existentes baseados no aumento da concentração de ácidos gordos livres e do glicerol sérico e urinário pós-aplicação, apoiam a ocorrência de lipólise com a aplicação da corrente.
Outros estudos que avaliaram os resultados através de perimetria com ressonância magnética mostraram reduções estatisticamente significativas na redução do volume.
A célula reage à estimulação elétrica utilizando frequências baixas. Estas estimulam as terminações nervosas do sistema nervoso simpático, com aumento da concentração de catecolaminas e consequentemente estimulação da lipólise, por aumento do AMPc intracelular.
Pode ser aplicada com ou sem agulhas, parecendo que a primeira apresenta maior eficácia.  Microcorrentes e corrente galvânica estão indicadas para este procedimento. Embora menos eficaz o TENS também pode ser utilizado.
Indicações da eletrolipólise:
Contra-indicações da eletrolipólise:
  • Lesões cutâneas;
  • Neoplasias;
  • Infeções;
  • Tratamento com corticóides e progesterona prolongados;
  • Implantes metálicos (não contra-indicado com TENS).

Princípios Ativos Dermatológicos

Ácido alfa-lipoico – antioxidante, anti-inflamatório. Tem capacidade de regenerar outros antioxidantes como as vitaminas C e E.
Ácido hialurônico – é um glicosaminoglicano não sulfatado, constituinte da substância fundamental amorfa.  Graças à sua elevada compatibilidade com as moléculas de água, proporciona hidratação e tonicidade à pele. É um ativador da função fibroblástica e da síntese de colágeno bem como de diversos factores de crescimento cutâneo. Frequentemente utilizada pela medicina estética para preenchimento de rugas.
Alantoína – princípio ativo frequentemente utilizado em processos de cicatrização, por ser um eficaz estimulador da proliferação celular, acelerando a regeneração da pele lesadas. É também utilizada no tratamento de xeroses e psoríase pelo seu poder queratolítico, hidratante, suavizante e anti-irritante.
Alcachofra – o nome científico é Cynara scolymus L., é uma planta cujas folhas são utilizadas para fins alimentares e medicinais desde a antiguidade. A cinara e os flavonóides são os principais constituintes citados como promotores da atividade farmacológica com propriedades coleróticas, depurativa, diurética, anti-trombótica, anti-arteroesclerotica e hepatoprotetora. Frequentemente utilizada na terapêutica do fibro edema gelóide.
Castanha da índia – planta medicinal muito utilizada no tratamento de varizes, flebites e hemorróidas, dadas as suas propriedade medicinais sobre o sistema circulatório. É antiedematosa, adstringente, ativadora da microcirculação, vasoprotetora, venotonica e anti-inflamatória.
Cavalinha – o nome científico é Equisetum giganteum L., da família das equisetáceas e frequentemente denominada por equiseto ou cauda de cavalo. Rica em oligoelementos (maioritariamente silício), flavonóides e saponinas, apresenta efeitos adstringente, anti-inflamatório, drenante, venotonico, cicatrizante, remineralizante e anti-seborreico. Com aplicações diversas como o fibro edema gelóide, a queda de cabelo, a acne ou úlceras.
Centelha asiática – planta nativa do Sri Lanka com propriedades anti-inflamatórias, vasoprotetoras e venotonicas de grande utilidade em patologias de foro circulatório (fibro edema gelóide, linfedema, rosácea, entre outros). Frequentemente utilizada no tratamento de queimaduras, cicatrizes e feridas, dado o seu elevado poder de regeneração do tecido conjuntivo através da estimula da produção de colágeno.
Coenzima Q-10 – semelhante em estrutura às vitaminas E e K. Transportador de eletrões para sintetizar mais ATP. Ação antioxidante. Diminui a produção de colagenase, reduzindo a degradação do colágeno.
Dexpantenol  ou d-pantenol – pró-vitamina da vitamina B5, quando aplicada topicamente é convertida em ácido pantotenico, componente essencial da coenzima A, que atua como carregadora nas reações do ciclo de Krebs. A pró-vitamina B5 estimula  a proliferação  celular  e auxilia na  reparação  de tecidos  lesados, acelerando a reepitelização de feridas. Assim, contribui para a formação de um epitélio com elevado nível de organização estrutural. Muito utilizada na formulação de cremes para tratamento de dermatites de fraldas.
DMAE – O Dimetilaminoetanol, mais conhecido por DMAE, é muito utilizado pela estética pelo seu efeito tensor no combate à flacidez cutânea. É um percussor da acetilcolina com ação reafirmante e redensificadora.
Forskolin – extrato vegetal, com ação lipolítica. Considerado 60x mais potente que a cafeína.
Fosfatidilcolina – desinfiltrante, lipolítico, apresenta grande poder emulsionante da gordura. Este princípio ativo está proibido para fins estéticos no Brasil pela ANVISA, dado ainda não serem conhecidos os efeitos a longo prazo da aplicação deste produto.
Fucus – Fucus vesiculosus L. é o seu nome científico, trata-se de uma alga marinha castanha com propriedades medicinais, frequentemente utilizada em emagrecimento. É composta por iodo (confere ação estimulante sobre a tireóide, favorecendo os processos catabólicos), algina (proporciona satisfação gástrica), potássio, mucopolissacarídeos (aumentam contração do tecido conjuntivo), bromina, vitaminas, entre outros constituintes. Para além do seu efeito no aumento do metabolismo celular apresenta ações diurética, antioxidante, emoliente, desintoxicante, remineralizante e adstringente.
Hera (Hedera Helix L.) – planta trepadeira natural da Europa central e ocidental. O uso das suas folhas para fins medicinais, deriva das propriedades fitoterápicas inerentes aos seus constituintes como saponinas, rutina e iodo. Apresenta efeitos calmante, cicatrizante, hidratante, vasodilatador, drenante e broncodilatador.
Hialuronidase – enzima com despolimerizante do ácido hialurônico. Frequentemente utilizada em mesoterapia para tratamento do fibro edema gelóide.
L-Carnitina – é um coadjuvante da lipólise. Permite o transporte dos ácidos gordos do citoplasma para a mitocôndria, para que haja produção de ATP.
Meliloto (Meliloto oficinalis) – planta utilizada em disfunções circulatórias, dado o seu poder anti-inflamatório, antiedematoso, venotonico e adstringente, proporcionado por princípios ativos como a cumarina, saponinas, flavonóides e óleos essenciais, que favorecem o retorno venoso e linfático.
Metilxantinas (Aminofilina, cafeína, chá verde, teofilina) – são utilizadas na dermato-funcional pela sua ação lipolítica. Atuam através da inibição da fosfodiesterase  com consequente aumento do AMPc intracelular e incremento da lipólise.
Nicotinato de metila – efeito vasodilatador e rubefaciente. Frequentemente utilizado em associação a metilxantinas na terapêutica de gordura localizada.
Oligoelementos – são microminerais que se encontram em quantidades muito pequenas no organismo. Têm um papel fundamental no metabolismo celular, pois atuam como co-fatores das mais diversas reações bioquímicas que se dão no organismo. Exemplos de importantes oligoelementos fundamentais ao bom funcionamento do sistema tegumentar podem ser citados: zinco, silício, manganês, ferro e cobre.
Rosa mosqueta – o óleo de rosa mosqueta é extraído da semente da planta e possui significativo efeito anti-inflamatório, anti-oxidante cicatrizante e hidratante, graças ás propriedades dos seus elementos constituintes. É composto por ácidos gordos essenciais, uma elevada concentração de vitaminas e minerais, fenóis e carotenóides, com excelentes resultados na terapêutica de úlceras, feridas e prevenção de cicatrizes hipertróficas.
Silício orgânico – é um mineral presente nos diversos tecidos conjuntivos como ossos cartilagem e pele. Inicia a síntese proteica para diferenciação do fibroblasto e opõe-se à glicosilação não enzimática das proteínas, estimulando a síntese de fibras. Enquanto elemento essencial na síntese e manutenção das fibras do tecido conjuntivo, a diminuição da sua taxa no organismo com a idade acelera acentuadamente o envelhecimento cutâneo. Presente em elevadas concentrações na argila verde.
Thiomucasa – enzima despolimerizante de glicosaminoglicanos sulfatados e não sulfatados.
Ureia – Apresenta ação queratolítica, umectante e antibacteriana dependendo das concentrações utilizadas. Tem a capacidade de se ligar a moléculas no interior da célula, possibilitando um efeito hidratante por períodos mais prolongados. Utilizada no tratamento de peles secas e atópicas.
Vitamina C –apresenta um potente efeito anti-radicais livres e é um cofator para a hidroxilação da prolina e lisina, reações essenciais à síntese de colágeno. Apresenta efeitos despigmentante por redução das reservas de melanina oxidada e inibição da melanogenese.
Vitamina E (tocoferol) – é mais  importante anti-oxidante lipossolúvel. A nível cutâneo apresenta efeitos na prevenção do envelhecimento, na regeneração e hidratação. Apresenta ainda efeitos vasodilatador, anticoagulante e anti-inflamatório. Aumenta ainda a atividade da Vitamina A.






Alta Frequência

A alta frequência é um recurso para tratamento de afeções cutâneas provocadas por microrganismos. Consiste num gerador de correntes alternadas com frequências que podem variar entre 100000 e 200000Hz.
Os elétrodos do equipamento são geralmente formados por tubos ocos de vidro que no seu interior contêm gás (Néon, Xenon ou Árgon). Estes quando aplicados sobre a superfície da pele ocorre formação de ozônio gerado pela descarga eletroquímica.
A ozonoterapia constitui um recurso eficaz no combate a infeções pelas suas propriedades bactericida, fungicida e germicida. Na pele o ozono (O3) dada a sua elevada instabilidade decompõe-se em oxigênio molecular (O2) e oxigênio atômico (O), sendo o último o responsável pela ação desinfetante dado o seu elevado poder oxidativo. Este atua sobre a membrana celular do microrganismo, destabilizando-a e penetrando através da mesma. Uma vez no interior da célula o oxigênio atômico provoca lise celular pela oxidação de aminoácidos e ácidos nucleicos.
Para além do efeito bactericida e antisséptico a alta frequência tem um efeito vasodilatador, aumentando a perfusão de oxigênio e o metabolismo celular. A associação dos dois fatores referidos permite uma melhoria do trofismo dérmico e consequentemente uma regeneração mais rápida das lesões tegumentares.
Indicações da alta frequência:
  • Acne;
  • Dermatite seborreica;
  • Úlceras de pressão infetadas;
  • Feridas infetadas.
Contra-indicações da alta frequência:
  • Gravidez;
  • Alterações de sensibilidade;
  • Pele com cosméticos com produtos inflamáveis na sua constituição (exemplo: álcool).

Galvanopuntura ou Eletrolifting

A galvanopuntura associa a corrente contínua filtrada com intensidades na ordem dos microamperes com o estímulo mecânico da agulha (pólo negativo). Combina os efeitos intrínsecos da corrente galvânica e os efeitos decorrentes da inflamação aguda provocada pela agulha.
Na estria a introdução subepidérmica da agulha causa uma resposta inflamatória aguda, porém localizada, exacerbada pela corrente. A região é preenchida por exsudado inflamatório, iniciando-se em simultâneo o processo de reepitelização, obrigando as células epidérmicas a penetrar pelo interior da fenda provocada pela agulha. A galvanopuntura é portanto, capaz de desencadear proliferação vascular, neovascularização, síntese de colágeno, retorno da sensibilidade e consequentemente melhoria do aspeto da estria.

Eletrolifting: Embora a utilização na estria seja mais comum e esteja mais estudada, a corrente galvânica também tem sido aplicada com bons resultados na redução de rugas e linhas de expressão, sendo as bases fisiológicas as mesmas que no tratamento da estria.



Indicações da galvanopuntura:

Contra-indicações da galvanopuntura:
  • Propensão a quelóide;
  • Síndrome de Cushing;
  • Diabetes;
  • Hemofilia;
  • Uso frequente de corticóides;
  • Patologias circulatórias;
  • Alergia a metais;
  • Distúrbios de sensibilidade.

Precauções da galvanopuntura:
  • Vitiligo;
  • Psoríase;
  • Indivíduos com muita tendência a alergias;
  • Vegetarianos (averiguar se compensam a carência de proteína animal).

Fibro Edema Gelóide "Celulite"


O fibro edema gelóide (FEG) refere-se a uma condição clínica e estética que afeta a maioria das mulheres, sendo erroneamente conhecida por “celulite”.
O termo celulite tem dois significados distintos. Para a população em geral representa a alteração estética, ao passo que para a população científica corresponde a uma infeção bacteriana do tecido celular subcutâneo. Numa tentativa de nomear a alteração estética, o termo “celulite” foi o primeiro a ser utilizado, por volta dos anos 1920. No entanto, já nessa época surgiu controvérsia, pois histopatologicamente não foi observado nenhum infiltrado inflamatório.
Para designar este quadro existem diferentes termos utilizados, Lipodistrofia ginóide, Paniculopatia edemato fibroesclerótica ou Lipodistrofia edematofibroesclerótica, entre outros.
O FEG trata-se de um espessamento não inflamatório da camada subcutânea, resultante de uma desordem localizada, envolvendo alterações estruturais, bioquímicas e metabólicas que afetam a derme, a epiderme e o tecido subcutâneo, atingindo principalmente ancas, coxas e abdômen.  Manifesta-se sob a forma de nódulos ou placas, dando origem ao aspeto “casca de laranja” da pele.
Trata-se de uma afeção benigna que, embora não ponha em risco a vida, nem seja incapacitante, compromete a função do tecido tegumentar, com consequências que afetam a vida afetiva, causando importante desconforto emocional podendo conduzir a diminuição das atividades funcionais ou mesmo a problemas psicossomáticos. Este surge cada vez mais cedo, sendo mais frequente na puberdade, e atinge 85-98% dos indivíduos do sexo feminino, não respeitando mesmo as mulheres magras.
De etiologia multifatorial, na qual diversas causas poderão coexistir, havendo predomínio de umas relativamente às outras, de variabilidade individual. Envolve alterações na circulação, na matriz extracelular e nos adipócitos. Observa-se ainda rotura das fibras elásticas e aumento da proliferação de tecido fibroso, levando a um crescente espessamento da área. O FEG caracteriza-se clinicamente por alterações do relevo cutâneo com sucessivas saliências e depressões, perda da elasticidade, a dor à palpação profunda e presença de nódulos.
São consideradas 3 fases evolutivas do processo:
  1. Instalação de edema intersticial tendo como base três possíveis fatores etiológicos: anormal hiperpolimerização do tecido conjuntivo; alteração microcirculatória; alteração do funcionamento do adipócito.
  2. Exsudação fibrinosa –numa tentativa de proteção do organismo através do “encapsulamento” da patologia  e remodelação da matriz extracelular desencadeia-se uma reação fibrótica.
  3. Esclerose e atrofia –endurecimento dos septos fibrosos, que tracionam verticalmente a pele e rotura das fibras de colágeno e elastina, levando ao aspeto inestético da pele, frequentemente denominado pele “casca de laranja”.
Fatores etiológicos do FEG:
  • Estrogênios;
  • Desequilíbrios hormonais;
  • Gênero (mulheres);
  • Idade (quanto maior a idade);
  • Etnia (mais caucasianas);
  • Patologias (renais, metabólicas, circulatórias);
  • Hábitos alimentares;
  • Obesidade;
  • Estilo de vida sedentário;
  • Emocionais (stress e ansiedade);
  • Vestuário e calçado;
  • Tabagismo;
  • Gravidez;
  • Medicamentos (exp.: contraceptivos orais, anti-histamínicos).
Segundo a classificação mais utilizada, proposta por Nϋrnberger e Mϋller, o FEG pode ser descrito em 3 graus, de forma simplificada. Para esta divisão são consideradas alterações cutâneas macroscópicas e a sensibilidade dolorosa.
  • Grau I (FEG brando): O FEG só é perceptível com a compressão do tecido entre os dedos ou pela contração muscular.
  • Grau II (FEG moderado): as alterações do contorno cutâneo são visíveis espontaneamente, apenas por ação da gravidade em ortostatismo mas desaparecem em decúbito ventral. A compressão pode ser dolorosa e este neste estágio o FEG é quase sempre curável.
  • Grau III (FEG severo): as alterações descritas no grau II estão presentes, acrescentando nódulos, em que a pele assemelha-se a um “saco de nozes”. As depressões e os nódulos são bem evidentes, mesmo em decúbito. A pele encontra-se enrugada e flácida, a sensibilidade à dor está muito aumentada e as fibras de tecido conjuntivo estão quase totalmente danificadas. Nesta fase, o FEG é incurável, apesar de ser passível de melhora.
O FEG também pode ser classificado quanto à tipologia consoante o predomínio dos sinais clínicos como:
  • Flácida ou Mole
  • Infiltrativa
  • Fibrosa
  • Adiposa
  • Mista
Recursos terapêuticos no FEG
Tendo em conta a origem multifatorial do FEG, este deverá ser tratado com procedimentos variados e complementares, numa perspectiva global, incluindo orientação do indivíduo, relativamente a hábitos de vida saudáveis.

O Sistema Linfático



A drenagem linfática é uma das muitas funções fisiológicas do organismo e é da responsabilidade do sistema linfático. Este tem uma estrutura muito semelhante ao sistema sanguíneo. Constituído por capilares, coletores e troncos linfáticos. Fazem ainda parte do sistema linfático os gânglios ou nodos linfáticos.
O plasma carregado de elementos nutritivos, oxigénio, sais minerais e vitaminas deixa o lúmen do capilar arterial para o meio intersticial que banha as células. Estas por sua vez retiram os elementos necessários ao seu metabolismo e eliminam produtos de degradação celular.
Através de um jogo de pressões o líquido intersticial é drenado por duas vias: a circulação venosa e a circulação linfática. A circulação linfática drena as macromoléculas que não foram transportadas pelo sistema venoso. Uma vez no interior do capilar linfático o líquido intersticial passa a denominar-se linfa, esta é constituída principalmente por água, eletrólitos e proteínas.
A entrada de líquido nos capilares linfáticos é efetuada por conexões existentes, que estão organizadas de modo a impedir refluxo. A abertura das conexões é influenciada por movimento dos tecidos adjacentes. Uma vez nos capilares a linfa é conduzida para os pré-coletores, que são vasos valvulados. Entre duas válvulas encontra-se uma estrutura denominada por linfangion que contém a porção contrátil do vaso, propiciando a mobilização da linfa para vasos de maiores dimensões, os coletores linfáticos. Os coletores linfáticos desembocam em gânglios linfáticos.
Os gânglios linfáticos são cápsulas fibrosas que atuam como filtros do sistema linfático. Desempenham uma importante função imunitária, sendo responsáveis pelo fabrico e armazenamento de células imunitárias. Uma vez realizada a filtração e fragmentação do seus elementos constituintes, a linfa sai do gânglio e é direcionada para o sistema circulatório.


O correto funcionamento do sistema linfático está dependente de diversos fatores, podendo ser comprometido com consequente instalação de edema – acúmulo anormal de líquido no espaço intersticial caracterizando-se macroscopicamente por aumento do volume na região acometida.

Drenagem Linfática Manual

A drenagem linfática manual (DLM) é uma técnica específica que utiliza uma ou ambas as mãos com movimentos rítmicos e suaves, com o objetivo de drenar o excesso de líquido acumulado no espaço intersticial e manter o equilíbrio entre pressões tecidulares e hidroestáticas.  Os métodos mais utilizados são o de Vodder e de Leduc. Embora cada um tenha as suas particularidades, ambos requerem um conhecimento da anatomia do sistema linfático, de modo a saber a orientação da drenagem.
Através da pressão mecânica exercida pela DLM é possível atingir um aumento da reabsorção do líquido intersticial pelos coletores linfáticos com evacuação de macromoléculas. A evacuação do espaço intersticial de moléculas como as proteínas diminui a probabilidade de fibrose e dissolve fibroses linfoestáticas, sendo deste modo, um recurso de elevada utilidade na intervenção em pós-operatório.
A DLM também favorece as trocas intercelulares e permite a ativação de linfangions hipofuncionantes.
Basicamente, esta técnica engloba dois tipos de manobras: manobras de evacuação ou chamada realizadas à distância do edema e manobras de captação ou reabsorção efetuadas no local do edema.
A DLM não é um procedimento eficaz num caso de gordura localizada, uma vez que apenas drena líquidos no espaço intersticial e os lípidos encontram-se no interior da célula.
Indicações da DLM:
Contra-indicações da DLM:
  • Processos infecciosos;
  • Trombose venosa em fase aguda;
  • Flebites varicosas;
  • Insuficiência renal;
  • Insuficiência cardíaca congestiva;

Precauções da DLM:
  • Neoplasias;
  • Hipertiroidismo;
  • História de trombose